Trump volta a ser Trump e foge de pergunta sobre Bolsonaro

Fonte: Opinião – Kennedy Alencar | Kennedy Alencar em 19/03/2020 às 22:00 h

Trump voltou a ser Trump. A seriedade apresentada anteontem já deu lugar a essa estratégia de procurar um inimigo externo a fim de abafar a própria incapacidade no exercício da Presidência dos Estados Unidos. Por isso, ele voltou a falar hoje em ‘vírus chinês’ e a dizer que, se Pequim tivesse alertado antes sobre o agente, teria tomado medidas mais protetivas aos americanos.

Mentira. Distorção dos fatos.

Até a semana passada, quando o covid-19 já explodira na Itália e toda a crise na China já era exaustivamente conhecida, Trump minimizava os riscos do coronavírus para os americanos e equiparava a doença a uma gripe comum. Ele chegou a dizer que o vírus estava sob controle.

Esse acobertamento da própria incompetência é o que a gente vê no Brasil quando um filho do presidente da República, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, ataca a China endossando a estratégia trumpista de estímulo ao preconceito e xenofobia num momento em que se exige cooperação global.

No caso do Brasil, a China é a maior parceira comercial do país. Não faz sentido atacá-la. É uma burrice.

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De novo, bolsonarismo ataca jornalista

Na entrevista, Trump foi indagado pela repórter Raquel Krahenbuhl, da Globonews, a respeito da conduta de Bolsonaro no domingo, que foi ao encontro de manifestantes, e da afirmação ontem de que poderia voltar a ter contato com o público em meio a uma pandemia.

Trump fugiu da pergunta. Não respondeu. Disse que Bolsonaro era seu ‘amigo’, que ficara feliz ao saber que o teste de coronavírus do brasileiro dera negativo e que o colega estava fazendo ‘um grande trabalho’.

O presidente americano tergiversou e não deu nenhuma invertida na jornalista como afirma fake news divulgada nas redes sociais pela deputada federal Caroline de Toni (PSL-SC) e endossada pelo senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Caroline de Toni mente, porque Trump fugiu de uma pergunta legítima da jornalista Raquel Krahenbuhl. Este é o nível do bolsonarismo. Fake news e mais um ataque a uma mulher são ações rotineiras. Inacreditável que mulheres, sobretudo deputadas federais, ataquem mulheres para defender presidentes misóginos como Trump e Bolsonaro.

Este é o baixo nível de Bolsonaro e seus seguidores. Tal comportamento não pode ser tolerado numa democracia. O episódio do coronavírus caiu como uma luva para esses líderes autoritários.

As atitudes de Trump e dos Bolsonaro evidenciam que são pessoas despreparadas. No Brasil, temos incapazes no poder, como Bolsonaro e seus filhos políticos: Eduardo, Flávio e Carlos.

Nos EUA, há uma máquina pública que resiste a Trump. Existe também uma imprensa que resiste e aponta claramente as mentiras que ele conta.

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Afunilou ainda mais

Tulsi Gabbard, deputada federal democrata do Havaí, desistiu da corrida presidencial. Ela era uma espécie de anticandidata, com posições muito críticas à política externa americana.

Oficialmente, restaram dois candidatos na disputa do Partido Democrata: o ex-vice-presidente Joe Biden e o senador por Vermont Bernie Sanders. Haverá pressão para Sanders desistir, mas a campanha presidencial tem sido um palco para a defesa de suas ideias.

Esse episódio do coronavírus mostra a importância de um sistema de saúde universal, como defende Sanders. Agora, veremos se Sanders manterá sua postulação para defender bandeiras importantes ou se apoiará Biden para centrar fogo em Trump.

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Mudança social em curso

Os EUA caminham para uma quarentena nacional. Se vê cada vez menos pessoas nas ruas. Hoje o Departamento de Estado divulgou recomendação para que americanos não viajem ao exterior. A imprensa pede que as pessoas fiquem em casa e aconselham jovens a não fazer as tradicionais festas de começo da primavera. Ouça o comentário:

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