Grande mobilização popular relança a corrida de Macri à reeleição na Argentina

Fonte: El Pais | Enric González em 25/08/2019 às 22:00 h

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O presidente Mauricio Macri acha que —apesar da enorme vantagem de que dispõe o peronista Alberto Fernández— ainda pode ganhar a reeleição. Também o acham muitos milhares de argentinos, que no sábado saíram em massa à rua para gritar ‘sim se pode’. Em um momento crítico, com uma delegação do FMI em Buenos Aires para avaliar as consequências da nova queda do peso e com a campanha eleitoral a ponto de relançar-se, Macri dispõe-se a lutar até o último dia.

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França propõe um fundo global para ajudar a Amazônia

Fonte: El Pais | Silvia Ayuso em 25/08/2019 às 20:00 h

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A Amazônia preocupa os líderes mundiais. Tanto, que os incêndios que ameaçam o pulmão do mundo estão desde o primeiro momento nas reuniões dos mandatários do G7 em Biarritz, compartilhando agenda prioritária com questões como o Irã e a Rússia. Enquanto os outros assuntos continuam sendo fonte de tensões, a Amazônia parece ser talvez o único ponto de convergência. Como adiantou o presidente francês e anfitrião do encontro, Emmanuel Macron, o que se procura é uma via para ajudar o Brasil e os outros países afetados ‘o quanto antes’. Uma ajuda imediata, mas, também, a longo prazo com o objetivo de ‘reflorestar’ as vitais áreas devastadas.

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Escuta: [Escuta Recomenda] Semana 13

Fonte: Escuta | Por Fernando Perlatto / Política

* Amazônia, desmatamento e queimadas: o assunto principal que dominou a imprensa nesta semana foi aquele relacionado às queimadas que se ampliaram na Amazônia, como resultado do desmatamento, e a repercussão internacional à agenda desastrosa de Bolsonaro e Ricardo Salles para o meio-ambiente. Diversos artigos foram publicados ao longo da semana buscando analisar estas questões. Relaciono abaixo aqueles que considerei mais interessantes e que indico a leitura:

– Artigo de Eliana Brum, na sexta, no El Pais, ‘Planeta em chamas’: ‘A Europa precisa decidir: se continuar comprando carne de desmatadores e produtos empapados de agrotóxicos, o agronegócio predatório vai continuar se sentindo à vontade para ampliar os dias de fogo, estimulado pelo perverso que hoje lidera o Brasil’;

– Dois artigos da ex-Ministra do Meio Ambiente e candidata às últimas eleições presidenciais, Marina Silva. No primeiro, publicado na quinta no El Pais, Marina Silva destacou: ‘Estamos vivendo um momento de barbárie ambiental no Brasil, promovida pelo Governo Bolsonaro. Por mais que se alerte, por mais que se mostre evidências, por mais que se clame para evitar o caos ambiental, econômico, político, social, o Governo não mostra preocupação, apenas sua cumplicidade com a destruição. (…). A Amazônia está sendo queimada por uma mistura de ignorância com interesses truculentos. O Governo está inaugurando um tempo de delinquência livre, em que se pode agredir a natureza e as comunidades sem receio de punição’. Neste domingo, em artigo publicado na Folha, com o título ‘Sem fundo’, Marina Silva analisou o fim do Fundo da Amazônia levado adiante pelo governo Bolsonaro: ‘Bolsonaro não assume oficialmente que abandonou o Acordo de Paris, é claro, porque teme as consequências comerciais e diplomáticas. Talvez pense que a ONU e a comunidade internacional não percebam o que está fazendo. A linguagem escatológica mostra que, na verdade, o presidente não dá a mínima importância para o meio ambiente. É triste. E será trágico’;

– Artigo de Luís Francisco Carvalho Filho para a Folha, no sábado, ‘O dia do fogo’: ‘Bolsonaro procede de modo incompatível com o decoro do cargo. Bolsonaro prevarica: não toma providências contra o desastre ambiental e estimula a omissão de seus ministros. Bolsonaro incita a ação de criminosos e faz apologia de delitos ambientais’;

– Artigo de Miriam Leitão para o jornal O Globo, na sexta, ‘Terra em fogo, país em transe’: ‘O fogo aumentou porque a destruição da floresta subiu e isso aconteceu porque todos os sinais passados pelo governo Bolsonaro, mesmo antes da posse, foram de estímulo ao desmatamento.’

– Artigo de Vinicius Torres Freire, para a Folha, na sexta, ‘Antes de queimar a floresta, Bolsonaro já queimou o filme do Brasil’: ‘Bolsonaro arrastou a imagem do Brasil para este seu torvelinho inflamado de desrazão odienta. Nossa casa, o país inteiro, está queimando por sua causa’

– Artigo de Luiz Felipe de Alencastro para o site da UOL, ‘A Amazônia e os problemas globais do G7’: ‘(…)de fato, é difícil prever um processo harmonioso de ratificação quando o próprio presidente brasileiro se autodenomina ‘Capitão Motosserra”

– Artigo de Wilson Gomes, no site da revista Cult, ‘Bolsonaro em chamas’: ‘Não é só a Amazônia que está em chamas, nem foi só o investimento de 30 anos na imagem internacional do Brasil que virou definitivamente cinzas nos últimos dias. É a própria percepção de que temos um adulto capaz governando o país é que está pegando fogo’

– Artigo de Janio de Freitas, neste domingo, na Folha, ‘Duas obviedades’: ‘Duas obviedades de dimensão amazônica em Jair Bolsonaro e seu governo. Uma, o descumprimento de obrigações determinadas pela Constituição, para o meio ambiente e outros fins; outra, o desrespeito a tratados internacionais. Daí resultante, a permissividade concedida à exploração ilegal da Amazônia, cerceada até a aferição científica do dano territorial, tem relação íntima com crime de responsabilidade. Ou lesa-pátria’

– Artigo de Bernardo Mello Franco para o jornal O Globo neste domingo, ‘O Brasil na fogueira’: ‘Em menos de oito meses, Bolsonaro conseguiu unir a comunidade científica, os ambientalistas e a opinião pública internacional contra o governo que dirige’;

* Bolsonaro, Moro, as instituições de controle e combate à corrupção: esta semana também foi marcada pela continuidade de ações realizadas por Bolsonaro no sentido de intervir diretamente nas instituições de controle e de combate à corrupção. Nos últimos dias, o presidente declarou que foi eleito ‘para intervir mesmo’ e fez declarações que buscaram enfraquecer ainda mais o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Vários artigos foram publicados na semana buscando analisar os desdobramentos destas questões.

Em artigo publicado na segunda-feira, na Folha, intitulado ‘Aparelhamento bolsonarista’, Celso Rocha de Barros, destacou: ‘Vários políticos tentaram neutralizar Moro, mas só Bolsonaro foi arrojado o suficiente para neutralizá-lo dando-lhe um cargo. Desde então, Moro só perdeu poder, teve que silenciar sobre o caso Queiroz e é ridicularizado pelo presidente da República sempre que possível’. Vinicius Mota, também na segunda, na Folha, em seu texto ‘Querida, encolhi o Moro’, foi direto: ‘Sergio Moro, que entrou no governo como um Super-Homem, foi reduzido a Homem-Formiga’. Neste domingo, foi a vez de Bruno Boghossian na Folha: ‘A turma de Curitiba pegou carona com Bolsonaro para ampliar seus poderes. Percebeu, tarde demais, que os passageiros não têm direito a escolher a rota e o destino da viagem’

Ainda na Folha, dois outros artigos buscaram analisar este cenário. Na sexta, Reinado Azevedo destacou: ‘Quadros da PF e da Receita terão de decidir se reagem a Bolsonaro por apreço às regras do jogo ou se buscam uma acomodação, de sorte que o presidente continue a ser o garantidor do Estado policial desde que ninguém escarafunche a sua gaveta, bulindo com o seu Queiroz de estimação’. Já no sábado, foi a vez de Demétrio Magnoli: ”Se é para ser um banana, tô fora! Fui eleito para interferir mesmo’. A declaração de guerra tem duplo alvo. De um lado, ameaça destruir a autonomia legal dos quatro órgãos. De outro, rompe a aliança entre o presidente e a Lava Jato, selada pela entrega do Ministério da Justiça a Sergio Moro’.

Sobre o tema, vale a leitura também do artigo de Rogerio Arantes, ‘Intestinos e instituições estão funcionando?’, publicado na segunda, no site da revista Época: ‘Pode ser que o acúmulo de derrotas e a perda de poder institucional do Executivo vis-à-vis os demais Poderes levem o presidente a rever suas escolhas estratégicas’;

* Os riscos de Bolsonaro para a democracia: a cada semana que passa, a cada declaração e ação do governo Bolsonaro, fica evidente os riscos colocados para a democracia brasileira. Para além dos desastres representados pelo próprio governo, suas consequências são ainda mais perversas, pois estão ancoradas em uma militância de extrema-direita cada vez mais radicalizada, como mostram reportagens publicadas nesta semana pela Folha1 e Folha2, e pelo site do The Intercept Brasil . Sobre o tema, também vale a leitura da entrevista da antropóloga Isabela Kalil ao jornal Nexo, publicada na segunda, sobre os apoiadores mais radicais de Bolsonaro: ‘Na pesquisa, o perfil de apoiadores mais radicais de Bolsonaro aparece predominantemente entre jovens do sexo masculino com menos de 20 anos, que integram os chans, fóruns anônimos usados para disseminar discurso de ódio, e também entre homens com idade entre 40 e 60 anos. Ambos têm em comum o que Kalil define como ‘masculinidade perdida’, que é a perda de um lugar social’.

No decorrer da semana, alguns textos interessantes foram publicados sobre os riscos do governo Bolsonaro e os perigos da naturalização de suas ações. Sugiro, em primeiro lugar, a leitura do artigo de Marcos Nobre para a revista Época, ‘A quem interessa esquecer Fabrício Queiroz?’:  ‘O que o impede de consumar desde já seu projeto de destruição da democracia não são pessoas nem instituições. O que ainda segura Bolsonaro é o fato de que ele não conseguiu ainda ampliar o apoio que tem, limitado até o momento a cerca de um terço do eleitorado. Ou seja, quem ainda segura Bolsonaro é a maioria da população brasileira, e não instituições políticas ou indivíduos com capacidades especiais para lidar com bestas feras’.

Vale também a leitura do texto de Juan Arias para o El Pais publicado na quarta, ‘Brasil vive um clima de pré-nazismo enquanto a oposição emudece’: ‘De modo que o silêncio dos que deveriam defender a democracia pode acabar deixando o caminho aberto aos autoritários, que se sentem ainda mais fortes diante de tais silêncios’;

Sobre o tema, indico também a leitura do artigo de Bernardo Carvalho, na ‘Ilustríssima’, da Folha, neste domingo, ‘Otimismo brasileiro também atende pelo nome de autoengano’: ‘O otimismo brasileiro quer crer que, no final das contas, o mercado, as instituições e o próprio governo serão suficientes para frear os desvarios do chefe da nação’ e de Conrado Hübner Mendes para a revista Época, intitulado ’17 crimes de responsabilidade’: ‘(…) trago 17 áreas em que ocorrem crimes de responsabilidade. Há que reconhecer a magnitude do fenômeno. A lista abaixo traça um panorama de instituições afetadas (…). Alicerces do Estado brasileiro têm sido implodidos. Juridicamente, a linha vermelha já foi cruzada. A mobilização política tem vasto acervo jurídico em que se apoiar’

Sobre as destruições provocadas pelo governo Bolsonaro, indico a leitura do artigo de Diogo Tourino de Sousa, nesta Revista Escuta publicado na quinta: ”(…) em concomitância ao aparente caos de orientações que invade a agenda governamental brasileira, e sem negá-lo, há uma orientação que parece sintetizar medidas que vêm sendo capitaneadas nos diferentes setores da sociedade. Trata-se do projeto de destruição do público enquanto forma de vida e princípio de estruturação da sociedade. E esse projeto é, em quantidade e qualidade, distinto do que vinha sendo nossa lógica’ e de Djamila Ribeiro, na Folha, na sexta, ‘Aqueles que se devem destruir’: ‘O tempo é o agora e agora o país está sob um ataque violento e eminente por grupos que odeiam o país. É hora de despertar’;

* Desigualdade no Brasil: dando sequência à discussão iniciada no Escuta Recomenda, da semana passada, indico outros artigos e entrevistas publicados nesta semana sobre a pesquisa realizada pelo economista Marcelo Neri, que aponta para o aumento da desigualdade da renda no Brasil desde 2014. Além de uma entrevista com o próprio Marcelo Neri, na terça e com o economista Marc Morgan, sobre o tema, vale a leitura do artigo de Laura Carvalho sobre desigualdade no Brasil, publicado na Folha, também na quinta: ‘O problema não é, portanto, o tamanho de nossa carga tributária, dada a nossa escolha quando da Constituinte por um Estado de bem-estar social, e sim sua distribuição injusta, que acaba praticamente anulando o efeito redutor de desigualdades dos gastos sociais e transferências —tema que, aliás, passa longe da atual discussão de reforma tributária no governo e no Congresso’

Sugiro também a leitura do artigo de Elio Gaspari publicado na quarta comentando a entrevista de José Pastore para a Folha, na segunda, na qual mesmo o sociólogo conservador, defensor do modelo negociado sobre o legislado nas relações trabalhistas, faz críticas às agendas impulsionadas pelo governo Bolsonaro. Sobre o tema, vale também a leitura da entrevista de Ruy Braga o Instituto Humanitas Unisinos, publicada na terça, sobre a MP da Liberdade Econômica: ‘A concepção que se tem hoje dessa MP não é de reformas no interior do marco regulatório do trabalho, mas da desregulamentação radical do trabalho. Então, existe uma diferença; ela pode parecer sutil, mas não é. É uma MP que ataca diretamente a própria concepção de regulamentação do trabalho. Ela visa e tem por fundamento e concepção uma sociedade em que o trabalho não deve ser regulado em hipótese alguma, o que é muito grave para o nosso tecido social’;

* Outras sugestões de artigos interessantes publicados na semana:

– Artigo de Sergio Abranches, ‘A crise brasileira’: ‘A crise política que começou em 2015 vai continuar, com tendência ao recrudescimento, representando um teste de stress institucional sem precedentes desde a redemocratização. É o principal desafio para os setores democráticos da sociedade brasileira’

– Artigo de Brasilio Sallum Jr., publicado no Estadão na quinta, ‘Em meio à crise, nasce um novo regime’: ‘Com efeito, três ‘fatores’ que ajudaram a produzir a crise política vêm sendo paulatinamente transformados: o financiamento da representação política, as relações do Executivo com o Legislativo e o Judiciário e a ação do Estado sobre a economia, que se mundializa’;

– Artigo de Eduardo Mares Bisnetto para esta Revista Escuta, ‘Cinema e diversidade: filtros culturais dentre os cosmonautas do Atlântico Sul’: ”Em país distante, de um planeta plano como uma moeda de vinte e cinco centavos, o presidente-rei-autocrata gosta de avaliar os filmes que sua população pode ou não assistir em seus cinemas. A preocupação, principalmente, é com filmes com teor sexual ou temáticas LGBT (sim, no tal planeta a tag é a mesma)’.

– Artigo de Vladmir Safatle para a revista Época, ‘Psicograna’: ‘Não há notícia de uma época que tenha colonizado tanto o debate econômico com julgamentos de psicologia moral como a nossa.’

– Artigo de Igor Gielow, na Folha, na sexta sobre o julgamento de Aécio Neves no PSDB, filiação de Alexandre Frota ao partido e a possibilidade do partido de juntar ao DEM;

– Artigo de Joseph E. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, para a Folha, publicado na quarta, ‘Ataque ao BNDES é perturbador e surpreendente’: ‘Se o objetivo é restaurar o crescimento sustentável e de longo prazo, e especialmente se essa expansão deve ser equitativa, o BNDES e outros bancos estatais de desenvolvimento precisam ser encorajados e expandidos, não reprimidos’.

– Artigo de Debora Diniz publicado na terça, o El Pais, ‘O patriarcado da conquista e as mulheres indígenas’: ‘Ao marcharem juntas, elas desafiaram o mandonismo patriarcal que as descreve como resíduo da história e do humano ou mesmo as regras comunitárias restritivas sobre a participação de mulheres no ‘mundo dos brancos”.

– Artigo de João Carlos Salles, Reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), sobre os ataques de Bolsonaro ao ensino superior, publicado na ‘Ilustríssima’, da Folha, neste domingo: ‘O ataque aos gestores e à própria vida universitária, o desrespeito (este sim recente, deste governo) à liberdade de escolha de dirigentes, bem como (também destes dias) o desrespeito à produção de conhecimento, ao valor da pesquisa, ao mérito acadêmico, tudo isso agride a universidade como lugar de conhecimento e liberdade’

– Artigo de José Eduardo Faria, publicado na sexta, no Estadão, ‘A democracia e as redes sociais’: ‘Ainda que seja difícil saber o que vai acontecer com a política, uma coisa é certa: ao propiciar fluxos contínuos de todo tipo de informações, sem que ninguém se apresente como responsável por muitas delas, transformações na tecnologia de comunicações configuram um processo que a democracia representativa não tem conseguido controlar. O que coloca em risco a liberdade à medida que avançam, em velocidade digital, a demagogia, o aventureirismo e o autoritarismo’

– Arrigo de Celso Furtado, publicado na última edição deste mês da revista Piauí, ‘Caleidoscópio da abertura’, no qual ele analisa em seus diários as articulações para conduzir Tancredo Neves à presidência da República. Trata-se de um trecho do livro Diários Intermitentes: 1937-2002, que a Companhia das Letras lançará em setembro;

– Artigo de Leonardo Avritzer para o site GGN, publicado na quinta, ‘A crise no Brasil e na Argentina ou das contradições do liberalismo anti-liberal’: ‘O resultado as eleições primárias (paso) na Argentina na semana passada associadas a perspectiva de volta da recessão no Brasil abriram novamente um debate que necessita ser realizado com urgência nos dois principais países da América do Sul acerca da incapacidade dos liberais de administrarem exitosamente a economia da região’

– Artigo de Maria Cristina Fernandes, na quinta, no Valor: ‘Bolsonaro já disse que, se o filho não se tornasse embaixador, poderia ocupar a chancelaria. Ante o legado de um país sem investidor estrangeiro ou mercado externo, seria difícil ao 03 lhe fazer sombra’

– Artigo de Fernanda Torres, na Folha, deste domingo, ‘Na cabecinha’: ‘É a angústia, o pânico do porvir, é o medo que se agarra em Deus e elege esse governador que, incapaz de conter o gozo, comemora o tiro, mesmo que devido, de um sniper.Freud deu nome aos bois logo após a primeira das duas grandes guerras mundiais que teve a infelicidade de testemunhar. Essa ânsia de fim se chama pulsão de morte. Só tem dado ela nas urnas eleitorais do planeta’;

Cultura

– O crítico de cinema Eduardo Escorel publicou um bom artigo na quarta, no site da revista Piauí, intitulado ‘Cabeças a prêmio. Naufrágio do cinema’, sobre os ataques de Bolsonaro ao cinema e desestruturação da Ancine. Sobre o tema também indico a leitura da reportagem do Nexo Jornal sobre os efeitos da ações de Bolsonaro para a indústria nacional com os cineastas os cineastas Laís Bodanzky, também presidente da SP e Hilton Lacerda;

– O Estadão publicou na terça uma reportagem sobre o ‘ressurgimento’ do conto e sua utilização por parte das editoras para atrair o público e rivalizar com outras mídias. Já o Valor Econômico publicou na sexta uma reportagem sobre de que maneira os livros de não ficção têm impulsionado o mercado editorial em um contexto de crise;

– O El Pais publicou no sábado uma interessante reportagem sobre o processo de politização que vários museus do mundo vêm passando em um contexto marcado pela polarização política;

– Neste domingo, o jornal O Globo publicou uma reportagem sobre o centenário de Jackson do Pandeiro, que vale a leitura. Como complemento, deixo a indicação do programa realizado da Rádio Batuta sobre os 100 anos do artista;

* Indicações culturais da semana:

– filmes: Bacurau, de Kleber Mendonça Filho (2019) e Era uma vez em… Hollywood, de Quentin Tarantino (2019);

livros: O perigo de uma história única, de Chimamanda Ngozi Adichie (Companhia das Letras, 2019);

– série: Sintonia (KondZilla, Netflix, 2019)

podcast: Ilustríssima Conversa com Giselle Beiguelman, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e autora do recé / Política

* Amazônia, desmatamento e queimadas: o assunto principal que dominou a imprensa nesta semana foi aquele relacionado às queimadas que se ampliaram na Amazônia, como resultado do desmatamento, e a repercussão internacional à agenda desastrosa de Bolsonaro e Ricardo Salles para o meio-ambiente. Diversos artigos foram publicados ao longo da semana buscando analisar estas questões. Relaciono abaixo aqueles que considerei mais interessantes e que indico a leitura:

– Artigo de Eliana Brum, na sexta, no El Pais, ‘Planeta em chamas’: ‘A Europa precisa decidir: se continuar comprando carne de desmatadores e produtos empapados de agrotóxicos, o agronegócio predatório vai continuar se sentindo à vontade para ampliar os dias de fogo, estimulado pelo perverso que hoje lidera o Brasil’;

– Dois artigos da ex-Ministra do Meio Ambiente e candidata às últimas eleições presidenciais, Marina Silva. No primeiro, publicado na quinta no El Pais, Marina Silva destacou: ‘Estamos vivendo um momento de barbárie ambiental no Brasil, promovida pelo Governo Bolsonaro. Por mais que se alerte, por mais que se mostre evidências, por mais que se clame para evitar o caos ambiental, econômico, político, social, o Governo não mostra preocupação, apenas sua cumplicidade com a destruição. (…). A Amazônia está sendo queimada por uma mistura de ignorância com interesses truculentos. O Governo está inaugurando um tempo de delinquência livre, em que se pode agredir a natureza e as comunidades sem receio de punição’. Neste domingo, em artigo publicado na Folha, com o título ‘Sem fundo’, Marina Silva analisou o fim do Fundo da Amazônia levado adiante pelo governo Bolsonaro: ‘Bolsonaro não assume oficialmente que abandonou o Acordo de Paris, é claro, porque teme as consequências comerciais e diplomáticas. Talvez pense que a ONU e a comunidade internacional não percebam o que está fazendo. A linguagem escatológica mostra que, na verdade, o presidente não dá a mínima importância para o meio ambiente. É triste. E será trágico’;

– Artigo de Luís Francisco Carvalho Filho para a Folha, no sábado, ‘O dia do fogo’: ‘Bolsonaro procede de modo incompatível com o decoro do cargo. Bolsonaro prevarica: não toma providências contra o desastre ambiental e estimula a omissão de seus ministros. Bolsonaro incita a ação de criminosos e faz apologia de delitos ambientais’;

– Artigo de Miriam Leitão para o jornal O Globo, na sexta, ‘Terra em fogo, país em transe’: ‘O fogo aumentou porque a destruição da floresta subiu e isso aconteceu porque todos os sinais passados pelo governo Bolsonaro, mesmo antes da posse, foram de estímulo ao desmatamento.’

– Artigo de Vinicius Torres Freire, para a Folha, na sexta, ‘Antes de queimar a floresta, Bolsonaro já queimou o filme do Brasil’: ‘Bolsonaro arrastou a imagem do Brasil para este seu torvelinho inflamado de desrazão odienta. Nossa casa, o país inteiro, está queimando por sua causa’

– Artigo de Luiz Felipe de Alencastro para o site da UOL, ‘A Amazônia e os problemas globais do G7’: ‘(…)de fato, é difícil prever um processo harmonioso de ratificação quando o próprio presidente brasileiro se autodenomina ‘Capitão Motosserra”

– Artigo de Wilson Gomes, no site da revista Cult, ‘Bolsonaro em chamas’: ‘Não é só a Amazônia que está em chamas, nem foi só o investimento de 30 anos na imagem internacional do Brasil que virou definitivamente cinzas nos últimos dias. É a própria percepção de que temos um adulto capaz governando o país é que está pegando fogo’

– Artigo de Janio de Freitas, neste domingo, na Folha, ‘Duas obviedades’: ‘Duas obviedades de dimensão amazônica em Jair Bolsonaro e seu governo. Uma, o descumprimento de obrigações determinadas pela Constituição, para o meio ambiente e outros fins; outra, o desrespeito a tratados internacionais. Daí resultante, a permissividade concedida à exploração ilegal da Amazônia, cerceada até a aferição científica do dano territorial, tem relação íntima com crime de responsabilidade. Ou lesa-pátria’

– Artigo de Bernardo Mello Franco para o jornal O Globo neste domingo, ‘O Brasil na fogueira’: ‘Em menos de oito meses, Bolsonaro conseguiu unir a comunidade científica, os ambientalistas e a opinião pública internacional contra o governo que dirige’;

* Bolsonaro, Moro, as instituições de controle e combate à corrupção: esta semana também foi marcada pela continuidade de ações realizadas por Bolsonaro no sentido de intervir diretamente nas instituições de controle e de combate à corrupção. Nos últimos dias, o presidente declarou que foi eleito ‘para intervir mesmo’ e fez declarações que buscaram enfraquecer ainda mais o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Vários artigos foram publicados na semana buscando analisar os desdobramentos destas questões.

Em artigo publicado na segunda-feira, na Folha, intitulado ‘Aparelhamento bolsonarista’, Celso Rocha de Barros, destacou: ‘Vários políticos tentaram neutralizar Moro, mas só Bolsonaro foi arrojado o suficiente para neutralizá-lo dando-lhe um cargo. Desde então, Moro só perdeu poder, teve que silenciar sobre o caso Queiroz e é ridicularizado pelo presidente da República sempre que possível’. Vinicius Mota, também na segunda, na Folha, em seu texto ‘Querida, encolhi o Moro’, foi direto: ‘Sergio Moro, que entrou no governo como um Super-Homem, foi reduzido a Homem-Formiga’. Neste domingo, foi a vez de Bruno Boghossian na Folha: ‘A turma de Curitiba pegou carona com Bolsonaro para ampliar seus poderes. Percebeu, tarde demais, que os passageiros não têm direito a escolher a rota e o destino da viagem’

Ainda na Folha, dois outros artigos buscaram analisar este cenário. Na sexta, Reinado Azevedo destacou: ‘Quadros da PF e da Receita terão de decidir se reagem a Bolsonaro por apreço às regras do jogo ou se buscam uma acomodação, de sorte que o presidente continue a ser o garantidor do Estado policial desde que ninguém escarafunche a sua gaveta, bulindo com o seu Queiroz de estimação’. Já no sábado, foi a vez de Demétrio Magnoli: ”Se é para ser um banana, tô fora! Fui eleito para interferir mesmo’. A declaração de guerra tem duplo alvo. De um lado, ameaça destruir a autonomia legal dos quatro órgãos. De outro, rompe a aliança entre o presidente e a Lava Jato, selada pela entrega do Ministério da Justiça a Sergio Moro’.

Sobre o tema, vale a leitura também do artigo de Rogerio Arantes, ‘Intestinos e instituições estão funcionando?’, publicado na segunda, no site da revista Época: ‘Pode ser que o acúmulo de derrotas e a perda de poder institucional do Executivo vis-à-vis os demais Poderes levem o presidente a rever suas escolhas estratégicas’;

* Os riscos de Bolsonaro para a democracia: a cada semana que passa, a cada declaração e ação do governo Bolsonaro, fica evidente os riscos colocados para a democracia brasileira. Para além dos desastres representados pelo próprio governo, suas consequências são ainda mais perversas, pois estão ancoradas em uma militância de extrema-direita cada vez mais radicalizada, como mostram reportagens publicadas nesta semana pela Folha1 e Folha2, e pelo site do The Intercept Brasil . Sobre o tema, também vale a leitura da entrevista da antropóloga Isabela Kalil ao jornal Nexo, publicada na segunda, sobre os apoiadores mais radicais de Bolsonaro: ‘Na pesquisa, o perfil de apoiadores mais radicais de Bolsonaro aparece predominantemente entre jovens do sexo masculino com menos de 20 anos, que integram os chans, fóruns anônimos usados para disseminar discurso de ódio, e também entre homens com idade entre 40 e 60 anos. Ambos têm em comum o que Kalil define como ‘masculinidade perdida’, que é a perda de um lugar social’.

No decorrer da semana, alguns textos interessantes foram publicados sobre os riscos do governo Bolsonaro e os perigos da naturalização de suas ações. Sugiro, em primeiro lugar, a leitura do artigo de Marcos Nobre para a revista Época, ‘A quem interessa esquecer Fabrício Queiroz?’:  ‘O que o impede de consumar desde já seu projeto de destruição da democracia não são pessoas nem instituições. O que ainda segura Bolsonaro é o fato de que ele não conseguiu ainda ampliar o apoio que tem, limitado até o momento a cerca de um terço do eleitorado. Ou seja, quem ainda segura Bolsonaro é a maioria da população brasileira, e não instituições políticas ou indivíduos com capacidades especiais para lidar com bestas feras’.

Vale também a leitura do texto de Juan Arias para o El Pais publicado na quarta, ‘Brasil vive um clima de pré-nazismo enquanto a oposição emudece’: ‘De modo que o silêncio dos que deveriam defender a democracia pode acabar deixando o caminho aberto aos autoritários, que se sentem ainda mais fortes diante de tais silêncios’;

Sobre o tema, indico também a leitura do artigo de Bernardo Carvalho, na ‘Ilustríssima’, da Folha, neste domingo, ‘Otimismo brasileiro também atende pelo nome de autoengano’: ‘O otimismo brasileiro quer crer que, no final das contas, o mercado, as instituições e o próprio governo serão suficientes para frear os desvarios do chefe da nação’ e de Conrado Hübner Mendes para a revista Época, intitulado ’17 crimes de responsabilidade’: ‘(…) trago 17 áreas em que ocorrem crimes de responsabilidade. Há que reconhecer a magnitude do fenômeno. A lista abaixo traça um panorama de instituições afetadas (…). Alicerces do Estado brasileiro têm sido implodidos. Juridicamente, a linha vermelha já foi cruzada. A mobilização política tem vasto acervo jurídico em que se apoiar’

Sobre as destruições provocadas pelo governo Bolsonaro, indico a leitura do artigo de Diogo Tourino de Sousa, nesta Revista Escuta publicado na quinta: ”(…) em concomitância ao aparente caos de orientações que invade a agenda governamental brasileira, e sem negá-lo, há uma orientação que parece sintetizar medidas que vêm sendo capitaneadas nos diferentes setores da sociedade. Trata-se do projeto de destruição do público enquanto forma de vida e princípio de estruturação da sociedade. E esse projeto é, em quantidade e qualidade, distinto do que vinha sendo nossa lógica’ e de Djamila Ribeiro, na Folha, na sexta, ‘Aqueles que se devem destruir’: ‘O tempo é o agora e agora o país está sob um ataque violento e eminente por grupos que odeiam o país. É hora de despertar’;

* Desigualdade no Brasil: dando sequência à discussão iniciada no Escuta Recomenda, da semana passada, indico outros artigos e entrevistas publicados nesta semana sobre a pesquisa realizada pelo economista Marcelo Neri, que aponta para o aumento da desigualdade da renda no Brasil desde 2014. Além de uma entrevista com o próprio Marcelo Neri, na terça e com o economista Marc Morgan, sobre o tema, vale a leitura do artigo de Laura Carvalho sobre desigualdade no Brasil, publicado na Folha, também na quinta: ‘O problema não é, portanto, o tamanho de nossa carga tributária, dada a nossa escolha quando da Constituinte por um Estado de bem-estar social, e sim sua distribuição injusta, que acaba praticamente anulando o efeito redutor de desigualdades dos gastos sociais e transferências —tema que, aliás, passa longe da atual discussão de reforma tributária no governo e no Congresso’

Sugiro também a leitura do artigo de Elio Gaspari publicado na quarta comentando a entrevista de José Pastore para a Folha, na segunda, na qual mesmo o sociólogo conservador, defensor do modelo negociado sobre o legislado nas relações trabalhistas, faz críticas às agendas impulsionadas pelo governo Bolsonaro. Sobre o tema, vale também a leitura da entrevista de Ruy Braga o Instituto Humanitas Unisinos, publicada na terça, sobre a MP da Liberdade Econômica: ‘A concepção que se tem hoje dessa MP não é de reformas no interior do marco regulatório do trabalho, mas da desregulamentação radical do trabalho. Então, existe uma diferença; ela pode parecer sutil, mas não é. É uma MP que ataca diretamente a própria concepção de regulamentação do trabalho. Ela visa e tem por fundamento e concepção uma sociedade em que o trabalho não deve ser regulado em hipótese alguma, o que é muito grave para o nosso tecido social’;

* Outras sugestões de artigos interessantes publicados na semana:

– Artigo de Sergio Abranches, ‘A crise brasileira’: ‘A crise política que começou em 2015 vai continuar, com tendência ao recrudescimento, representando um teste de stress institucional sem precedentes desde a redemocratização. É o principal desafio para os setores democráticos da sociedade brasileira’

– Artigo de Brasilio Sallum Jr., publicado no Estadão na quinta, ‘Em meio à crise, nasce um novo regime’: ‘Com efeito, três ‘fatores’ que ajudaram a produzir a crise política vêm sendo paulatinamente transformados: o financiamento da representação política, as relações do Executivo com o Legislativo e o Judiciário e a ação do Estado sobre a economia, que se mundializa’;

– Artigo de Eduardo Mares Bisnetto para esta Revista Escuta, ‘Cinema e diversidade: filtros culturais dentre os cosmonautas do Atlântico Sul’: ”Em país distante, de um planeta plano como uma moeda de vinte e cinco centavos, o presidente-rei-autocrata gosta de avaliar os filmes que sua população pode ou não assistir em seus cinemas. A preocupação, principalmente, é com filmes com teor sexual ou temáticas LGBT (sim, no tal planeta a tag é a mesma)’.

– Artigo de Vladmir Safatle para a revista Época, ‘Psicograna’: ‘Não há notícia de uma época que tenha colonizado tanto o debate econômico com julgamentos de psicologia moral como a nossa.’

– Artigo de Igor Gielow, na Folha, na sexta sobre o julgamento de Aécio Neves no PSDB, filiação de Alexandre Frota ao partido e a possibilidade do partido de juntar ao DEM;

– Artigo de Joseph E. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, para a Folha, publicado na quarta, ‘Ataque ao BNDES é perturbador e surpreendente’: ‘Se o objetivo é restaurar o crescimento sustentável e de longo prazo, e especialmente se essa expansão deve ser equitativa, o BNDES e outros bancos estatais de desenvolvimento precisam ser encorajados e expandidos, não reprimidos’.

– Artigo de Debora Diniz publicado na terça, o El Pais, ‘O patriarcado da conquista e as mulheres indígenas’: ‘Ao marcharem juntas, elas desafiaram o mandonismo patriarcal que as descreve como resíduo da história e do humano ou mesmo as regras comunitárias restritivas sobre a participação de mulheres no ‘mundo dos brancos”.

– Artigo de João Carlos Salles, Reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), sobre os ataques de Bolsonaro ao ensino superior, publicado na ‘Ilustríssima’, da Folha, neste domingo: ‘O ataque aos gestores e à própria vida universitária, o desrespeito (este sim recente, deste governo) à liberdade de escolha de dirigentes, bem como (também destes dias) o desrespeito à produção de conhecimento, ao valor da pesquisa, ao mérito acadêmico, tudo isso agride a universidade como lugar de conhecimento e liberdade’

– Artigo de José Eduardo Faria, publicado na sexta, no Estadão, ‘A democracia e as redes sociais’: ‘Ainda que seja difícil saber o que vai acontecer com a política, uma coisa é certa: ao propiciar fluxos contínuos de todo tipo de informações, sem que ninguém se apresente como responsável por muitas delas, transformações na tecnologia de comunicações configuram um processo que a democracia representativa não tem conseguido controlar. O que coloca em risco a liberdade à medida que avançam, em velocidade digital, a demagogia, o aventureirismo e o autoritarismo’

– Arrigo de Celso Furtado, publicado na última edição deste mês da revista Piauí, ‘Caleidoscópio da abertura’, no qual ele analisa em seus diários as articulações para conduzir Tancredo Neves à presidência da República. Trata-se de um trecho do livro Diários Intermitentes: 1937-2002, que a Companhia das Letras lançará em setembro;

– Artigo de Leonardo Avritzer para o site GGN, publicado na quinta, ‘A crise no Brasil e na Argentina ou das contradições do liberalismo anti-liberal’: ‘O resultado as eleições primárias (paso) na Argentina na semana passada associadas a perspectiva de volta da recessão no Brasil abriram novamente um debate que necessita ser realizado com urgência nos dois principais países da América do Sul acerca da incapacidade dos liberais de administrarem exitosamente a economia da região’

– Artigo de Maria Cristina Fernandes, na quinta, no Valor: ‘Bolsonaro já disse que, se o filho não se tornasse embaixador, poderia ocupar a chancelaria. Ante o legado de um país sem investidor estrangeiro ou mercado externo, seria difícil ao 03 lhe fazer sombra’

– Artigo de Fernanda Torres, na Folha, deste domingo, ‘Na cabecinha’: ‘É a angústia, o pânico do porvir, é o medo que se agarra em Deus e elege esse governador que, incapaz de conter o gozo, comemora o tiro, mesmo que devido, de um sniper.Freud deu nome aos bois logo após a primeira das duas grandes guerras mundiais que teve a infelicidade de testemunhar. Essa ânsia de fim se chama pulsão de morte. Só tem dado ela nas urnas eleitorais do planeta’;

Cultura

– O crítico de cinema Eduardo Escorel publicou um bom artigo na quarta, no site da revista Piauí, intitulado ‘Cabeças a prêmio. Naufrágio do cinema’, sobre os ataques de Bolsonaro ao cinema e desestruturação da Ancine. Sobre o tema também indico a leitura da reportagem do Nexo Jornal sobre os efeitos da ações de Bolsonaro para a indústria nacional com os cineastas os cineastas Laís Bodanzky, também presidente da SP e Hilton Lacerda;

– O Estadão publicou na terça uma reportagem sobre o ‘ressurgimento’ do conto e sua utilização por parte das editoras para atrair o público e rivalizar com outras mídias. Já o Valor Econômico publicou na sexta uma reportagem sobre de que maneira os livros de não ficção têm impulsionado o mercado editorial em um contexto de crise;

– O El Pais publicou no sábado uma interessante reportagem sobre o processo de politização que vários museus do mundo vêm passando em um contexto marcado pela polarização política;

– Neste domingo, o jornal O Globo publicou uma reportagem sobre o centenário de Jackson do Pandeiro, que vale a leitura. Como complemento, deixo a indicação do programa realizado da Rádio Batuta sobre os 100 anos do artista;

* Indicações culturais da semana:

– filmes: Bacurau, de Kleber Mendonça Filho (2019) e Era uma vez em… Hollywood, de Quentin Tarantino (2019);

livros: O perigo de uma história única, de Chimamanda Ngozi Adichie (Companhia das Letras, 2019);

– série: Sintonia (KondZilla, Netflix, 2019)

podcast: Ilustríssima Conversa com Giselle Beiguelman, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e autora do recé / Política

* Amazônia, desmatamento e queimadas: o assunto principal que dominou a imprensa nesta semana foi aquele relacionado às queimadas que se ampliaram na Amazônia, como resultado do desmatamento, e a repercussão internacional à agenda desastrosa de Bolsonaro e Ricardo Salles para o meio-ambiente. Diversos artigos foram publicados ao longo da semana buscando analisar estas questões. Relaciono abaixo aqueles que considerei mais interessantes e que indico a leitura:

– Artigo de Eliana Brum, na sexta, no El Pais, ‘Planeta em chamas’: ‘A Europa precisa decidir: se continuar comprando carne de desmatadores e produtos empapados de agrotóxicos, o agronegócio predatório vai continuar se sentindo à vontade para ampliar os dias de fogo, estimulado pelo perverso que hoje lidera o Brasil’;

– Dois artigos da ex-Ministra do Meio Ambiente e candidata às últimas eleições presidenciais, Marina Silva. No primeiro, publicado na quinta no El Pais, Marina Silva destacou: ‘Estamos vivendo um momento de barbárie ambiental no Brasil, promovida pelo Governo Bolsonaro. Por mais que se alerte, por mais que se mostre evidências, por mais que se clame para evitar o caos ambiental, econômico, político, social, o Governo não mostra preocupação, apenas sua cumplicidade com a destruição. (…). A Amazônia está sendo queimada por uma mistura de ignorância com interesses truculentos. O Governo está inaugurando um tempo de delinquência livre, em que se pode agredir a natureza e as comunidades sem receio de punição’. Neste domingo, em artigo publicado na Folha, com o título ‘Sem fundo’, Marina Silva analisou o fim do Fundo da Amazônia levado adiante pelo governo Bolsonaro: ‘Bolsonaro não assume oficialmente que abandonou o Acordo de Paris, é claro, porque teme as consequências comerciais e diplomáticas. Talvez pense que a ONU e a comunidade internacional não percebam o que está fazendo. A linguagem escatológica mostra que, na verdade, o presidente não dá a mínima importância para o meio ambiente. É triste. E será trágico’;

– Artigo de Luís Francisco Carvalho Filho para a Folha, no sábado, ‘O dia do fogo’: ‘Bolsonaro procede de modo incompatível com o decoro do cargo. Bolsonaro prevarica: não toma providências contra o desastre ambiental e estimula a omissão de seus ministros. Bolsonaro incita a ação de criminosos e faz apologia de delitos ambientais’;

– Artigo de Miriam Leitão para o jornal O Globo, na sexta, ‘Terra em fogo, país em transe’: ‘O fogo aumentou porque a destruição da floresta subiu e isso aconteceu porque todos os sinais passados pelo governo Bolsonaro, mesmo antes da posse, foram de estímulo ao desmatamento.’

– Artigo de Vinicius Torres Freire, para a Folha, na sexta, ‘Antes de queimar a floresta, Bolsonaro já queimou o filme do Brasil’: ‘Bolsonaro arrastou a imagem do Brasil para este seu torvelinho inflamado de desrazão odienta. Nossa casa, o país inteiro, está queimando por sua causa’

– Artigo de Luiz Felipe de Alencastro para o site da UOL, ‘A Amazônia e os problemas globais do G7’: ‘(…)de fato, é difícil prever um processo harmonioso de ratificação quando o próprio presidente brasileiro se autodenomina ‘Capitão Motosserra”

– Artigo de Wilson Gomes, no site da revista Cult, ‘Bolsonaro em chamas’: ‘Não é só a Amazônia que está em chamas, nem foi só o investimento de 30 anos na imagem internacional do Brasil que virou definitivamente cinzas nos últimos dias. É a própria percepção de que temos um adulto capaz governando o país é que está pegando fogo’

– Artigo de Janio de Freitas, neste domingo, na Folha, ‘Duas obviedades’: ‘Duas obviedades de dimensão amazônica em Jair Bolsonaro e seu governo. Uma, o descumprimento de obrigações determinadas pela Constituição, para o meio ambiente e outros fins; outra, o desrespeito a tratados internacionais. Daí resultante, a permissividade concedida à exploração ilegal da Amazônia, cerceada até a aferição científica do dano territorial, tem relação íntima com crime de responsabilidade. Ou lesa-pátria’

– Artigo de Bernardo Mello Franco para o jornal O Globo neste domingo, ‘O Brasil na fogueira’: ‘Em menos de oito meses, Bolsonaro conseguiu unir a comunidade científica, os ambientalistas e a opinião pública internacional contra o governo que dirige’;

* Bolsonaro, Moro, as instituições de controle e combate à corrupção: esta semana também foi marcada pela continuidade de ações realizadas por Bolsonaro no sentido de intervir diretamente nas instituições de controle e de combate à corrupção. Nos últimos dias, o presidente declarou que foi eleito ‘para intervir mesmo’ e fez declarações que buscaram enfraquecer ainda mais o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Vários artigos foram publicados na semana buscando analisar os desdobramentos destas questões.

Em artigo publicado na segunda-feira, na Folha, intitulado ‘Aparelhamento bolsonarista’, Celso Rocha de Barros, destacou: ‘Vários políticos tentaram neutralizar Moro, mas só Bolsonaro foi arrojado o suficiente para neutralizá-lo dando-lhe um cargo. Desde então, Moro só perdeu poder, teve que silenciar sobre o caso Queiroz e é ridicularizado pelo presidente da República sempre que possível’. Vinicius Mota, também na segunda, na Folha, em seu texto ‘Querida, encolhi o Moro’, foi direto: ‘Sergio Moro, que entrou no governo como um Super-Homem, foi reduzido a Homem-Formiga’. Neste domingo, foi a vez de Bruno Boghossian na Folha: ‘A turma de Curitiba pegou carona com Bolsonaro para ampliar seus poderes. Percebeu, tarde demais, que os passageiros não têm direito a escolher a rota e o destino da viagem’

Ainda na Folha, dois outros artigos buscaram analisar este cenário. Na sexta, Reinado Azevedo destacou: ‘Quadros da PF e da Receita terão de decidir se reagem a Bolsonaro por apreço às regras do jogo ou se buscam uma acomodação, de sorte que o presidente continue a ser o garantidor do Estado policial desde que ninguém escarafunche a sua gaveta, bulindo com o seu Queiroz de estimação’. Já no sábado, foi a vez de Demétrio Magnoli: ”Se é para ser um banana, tô fora! Fui eleito para interferir mesmo’. A declaração de guerra tem duplo alvo. De um lado, ameaça destruir a autonomia legal dos quatro órgãos. De outro, rompe a aliança entre o presidente e a Lava Jato, selada pela entrega do Ministério da Justiça a Sergio Moro’.

Sobre o tema, vale a leitura também do artigo de Rogerio Arantes, ‘Intestinos e instituições estão funcionando?’, publicado na segunda, no site da revista Época: ‘Pode ser que o acúmulo de derrotas e a perda de poder institucional do Executivo vis-à-vis os demais Poderes levem o presidente a rever suas escolhas estratégicas’;

* Os riscos de Bolsonaro para a democracia: a cada semana que passa, a cada declaração e ação do governo Bolsonaro, fica evidente os riscos colocados para a democracia brasileira. Para além dos desastres representados pelo próprio governo, suas consequências são ainda mais perversas, pois estão ancoradas em uma militância de extrema-direita cada vez mais radicalizada, como mostram reportagens publicadas nesta semana pela Folha1 e Folha2, e pelo site do The Intercept Brasil . Sobre o tema, também vale a leitura da entrevista da antropóloga Isabela Kalil ao jornal Nexo, publicada na segunda, sobre os apoiadores mais radicais de Bolsonaro: ‘Na pesquisa, o perfil de apoiadores mais radicais de Bolsonaro aparece predominantemente entre jovens do sexo masculino com menos de 20 anos, que integram os chans, fóruns anônimos usados para disseminar discurso de ódio, e também entre homens com idade entre 40 e 60 anos. Ambos têm em comum o que Kalil define como ‘masculinidade perdida’, que é a perda de um lugar social’.

No decorrer da semana, alguns textos interessantes foram publicados sobre os riscos do governo Bolsonaro e os perigos da naturalização de suas ações. Sugiro, em primeiro lugar, a leitura do artigo de Marcos Nobre para a revista Época, ‘A quem interessa esquecer Fabrício Queiroz?’:  ‘O que o impede de consumar desde já seu projeto de destruição da democracia não são pessoas nem instituições. O que ainda segura Bolsonaro é o fato de que ele não conseguiu ainda ampliar o apoio que tem, limitado até o momento a cerca de um terço do eleitorado. Ou seja, quem ainda segura Bolsonaro é a maioria da população brasileira, e não instituições políticas ou indivíduos com capacidades especiais para lidar com bestas feras’.

Vale também a leitura do texto de Juan Arias para o El Pais publicado na quarta, ‘Brasil vive um clima de pré-nazismo enquanto a oposição emudece’: ‘De modo que o silêncio dos que deveriam defender a democracia pode acabar deixando o caminho aberto aos autoritários, que se sentem ainda mais fortes diante de tais silêncios’;

Sobre o tema, indico também a leitura do artigo de Bernardo Carvalho, na ‘Ilustríssima’, da Folha, neste domingo, ‘Otimismo brasileiro também atende pelo nome de autoengano’: ‘O otimismo brasileiro quer crer que, no final das contas, o mercado, as instituições e o próprio governo serão suficientes para frear os desvarios do chefe da nação’ e de Conrado Hübner Mendes para a revista Época, intitulado ’17 crimes de responsabilidade’: ‘(…) trago 17 áreas em que ocorrem crimes de responsabilidade. Há que reconhecer a magnitude do fenômeno. A lista abaixo traça um panorama de instituições afetadas (…). Alicerces do Estado brasileiro têm sido implodidos. Juridicamente, a linha vermelha já foi cruzada. A mobilização política tem vasto acervo jurídico em que se apoiar’

Sobre as destruições provocadas pelo governo Bolsonaro, indico a leitura do artigo de Diogo Tourino de Sousa, nesta Revista Escuta publicado na quinta: ”(…) em concomitância ao aparente caos de orientações que invade a agenda governamental brasileira, e sem negá-lo, há uma orientação que parece sintetizar medidas que vêm sendo capitaneadas nos diferentes setores da sociedade. Trata-se do projeto de destruição do público enquanto forma de vida e princípio de estruturação da sociedade. E esse projeto é, em quantidade e qualidade, distinto do que vinha sendo nossa lógica’ e de Djamila Ribeiro, na Folha, na sexta, ‘Aqueles que se devem destruir’: ‘O tempo é o agora e agora o país está sob um ataque violento e eminente por grupos que odeiam o país. É hora de despertar’;

* Desigualdade no Brasil: dando sequência à discussão iniciada no Escuta Recomenda, da semana passada, indico outros artigos e entrevistas publicados nesta semana sobre a pesquisa realizada pelo economista Marcelo Neri, que aponta para o aumento da desigualdade da renda no Brasil desde 2014. Além de uma entrevista com o próprio Marcelo Neri, na terça e com o economista Marc Morgan, sobre o tema, vale a leitura do artigo de Laura Carvalho sobre desigualdade no Brasil, publicado na Folha, também na quinta: ‘O problema não é, portanto, o tamanho de nossa carga tributária, dada a nossa escolha quando da Constituinte por um Estado de bem-estar social, e sim sua distribuição injusta, que acaba praticamente anulando o efeito redutor de desigualdades dos gastos sociais e transferências —tema que, aliás, passa longe da atual discussão de reforma tributária no governo e no Congresso’

Sugiro também a leitura do artigo de Elio Gaspari publicado na quarta comentando a entrevista de José Pastore para a Folha, na segunda, na qual mesmo o sociólogo conservador, defensor do modelo negociado sobre o legislado nas relações trabalhistas, faz críticas às agendas impulsionadas pelo governo Bolsonaro. Sobre o tema, vale também a leitura da entrevista de Ruy Braga o Instituto Humanitas Unisinos, publicada na terça, sobre a MP da Liberdade Econômica: ‘A concepção que se tem hoje dessa MP não é de reformas no interior do marco regulatório do trabalho, mas da desregulamentação radical do trabalho. Então, existe uma diferença; ela pode parecer sutil, mas não é. É uma MP que ataca diretamente a própria concepção de regulamentação do trabalho. Ela visa e tem por fundamento e concepção uma sociedade em que o trabalho não deve ser regulado em hipótese alguma, o que é muito grave para o nosso tecido social’;

* Outras sugestões de artigos interessantes publicados na semana:

– Artigo de Sergio Abranches, ‘A crise brasileira’: ‘A crise política que começou em 2015 vai continuar, com tendência ao recrudescimento, representando um teste de stress institucional sem precedentes desde a redemocratização. É o principal desafio para os setores democráticos da sociedade brasileira’

– Artigo de Brasilio Sallum Jr., publicado no Estadão na quinta, ‘Em meio à crise, nasce um novo regime’: ‘Com efeito, três ‘fatores’ que ajudaram a produzir a crise política vêm sendo paulatinamente transformados: o financiamento da representação política, as relações do Executivo com o Legislativo e o Judiciário e a ação do Estado sobre a economia, que se mundializa’;

– Artigo de Eduardo Mares Bisnetto para esta Revista Escuta, ‘Cinema e diversidade: filtros culturais dentre os cosmonautas do Atlântico Sul’: ”Em país distante, de um planeta plano como uma moeda de vinte e cinco centavos, o presidente-rei-autocrata gosta de avaliar os filmes que sua população pode ou não assistir em seus cinemas. A preocupação, principalmente, é com filmes com teor sexual ou temáticas LGBT (sim, no tal planeta a tag é a mesma)’.

– Artigo de Vladmir Safatle para a revista Época, ‘Psicograna’: ‘Não há notícia de uma época que tenha colonizado tanto o debate econômico com julgamentos de psicologia moral como a nossa.’

– Artigo de Igor Gielow, na Folha, na sexta sobre o julgamento de Aécio Neves no PSDB, filiação de Alexandre Frota ao partido e a possibilidade do partido de juntar ao DEM;

– Artigo de Joseph E. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, para a Folha, publicado na quarta, ‘Ataque ao BNDES é perturbador e surpreendente’: ‘Se o objetivo é restaurar o crescimento sustentável e de longo prazo, e especialmente se essa expansão deve ser equitativa, o BNDES e outros bancos estatais de desenvolvimento precisam ser encorajados e expandidos, não reprimidos’.

– Artigo de Debora Diniz publicado na terça, o El Pais, ‘O patriarcado da conquista e as mulheres indígenas’: ‘Ao marcharem juntas, elas desafiaram o mandonismo patriarcal que as descreve como resíduo da história e do humano ou mesmo as regras comunitárias restritivas sobre a participação de mulheres no ‘mundo dos brancos”.

– Artigo de João Carlos Salles, Reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), sobre os ataques de Bolsonaro ao ensino superior, publicado na ‘Ilustríssima’, da Folha, neste domingo: ‘O ataque aos gestores e à própria vida universitária, o desrespeito (este sim recente, deste governo) à liberdade de escolha de dirigentes, bem como (também destes dias) o desrespeito à produção de conhecimento, ao valor da pesquisa, ao mérito acadêmico, tudo isso agride a universidade como lugar de conhecimento e liberdade’

– Artigo de José Eduardo Faria, publicado na sexta, no Estadão, ‘A democracia e as redes sociais’: ‘Ainda que seja difícil saber o que vai acontecer com a política, uma coisa é certa: ao propiciar fluxos contínuos de todo tipo de informações, sem que ninguém se apresente como responsável por muitas delas, transformações na tecnologia de comunicações configuram um processo que a democracia representativa não tem conseguido controlar. O que coloca em risco a liberdade à medida que avançam, em velocidade digital, a demagogia, o aventureirismo e o autoritarismo’

– Arrigo de Celso Furtado, publicado na última edição deste mês da revista Piauí, ‘Caleidoscópio da abertura’, no qual ele analisa em seus diários as articulações para conduzir Tancredo Neves à presidência da República. Trata-se de um trecho do livro Diários Intermitentes: 1937-2002, que a Companhia das Letras lançará em setembro;

– Artigo de Leonardo Avritzer para o site GGN, publicado na quinta, ‘A crise no Brasil e na Argentina ou das contradições do liberalismo anti-liberal’: ‘O resultado as eleições primárias (paso) na Argentina na semana passada associadas a perspectiva de volta da recessão no Brasil abriram novamente um debate que necessita ser realizado com urgência nos dois principais países da América do Sul acerca da incapacidade dos liberais de administrarem exitosamente a economia da região’

– Artigo de Maria Cristina Fernandes, na quinta, no Valor: ‘Bolsonaro já disse que, se o filho não se tornasse embaixador, poderia ocupar a chancelaria. Ante o legado de um país sem investidor estrangeiro ou mercado externo, seria difícil ao 03 lhe fazer sombra’

– Artigo de Fernanda Torres, na Folha, deste domingo, ‘Na cabecinha’: ‘É a angústia, o pânico do porvir, é o medo que se agarra em Deus e elege esse governador que, incapaz de conter o gozo, comemora o tiro, mesmo que devido, de um sniper.Freud deu nome aos bois logo após a primeira das duas grandes guerras mundiais que teve a infelicidade de testemunhar. Essa ânsia de fim se chama pulsão de morte. Só tem dado ela nas urnas eleitorais do planeta’;

Cultura

– O crítico de cinema Eduardo Escorel publicou um bom artigo na quarta, no site da revista Piauí, intitulado ‘Cabeças a prêmio. Naufrágio do cinema’, sobre os ataques de Bolsonaro ao cinema e desestruturação da Ancine. Sobre o tema também indico a leitura da reportagem do Nexo Jornal sobre os efeitos da ações de Bolsonaro para a indústria nacional com os cineastas os cineastas Laís Bodanzky, também presidente da SP e Hilton Lacerda;

– O Estadão publicou na terça uma reportagem sobre o ‘ressurgimento’ do conto e sua utilização por parte das editoras para atrair o público e rivalizar com outras mídias. Já o Valor Econômico publicou na sexta uma reportagem sobre de que maneira os livros de não ficção têm impulsionado o mercado editorial em um contexto de crise;

– O El Pais publicou no sábado uma interessante reportagem sobre o processo de politização que vários museus do mundo vêm passando em um contexto marcado pela polarização política;

– Neste domingo, o jornal O Globo publicou uma reportagem sobre o centenário de Jackson do Pandeiro, que vale a leitura. Como complemento, deixo a indicação do programa realizado da Rádio Batuta sobre os 100 anos do artista;

* Indicações culturais da semana:

– filmes: Bacurau, de Kleber Mendonça Filho (2019) e Era uma vez em… Hollywood, de Quentin Tarantino (2019);

livros: O perigo de uma história única, de Chimamanda Ngozi Adichie (Companhia das Letras, 2019);

– série: Sintonia (KondZilla, Netflix, 2019)

podcast: Ilustríssima Conversa com Giselle Beiguelman, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e autora do recé em 25/08/2019 às 19:00 h

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A coluna ‘Escuta Recomenda’ é publicada aos domingos, assinada por um dos editores da revista, Fernando Perlatto, com sugestões de leituras de textos de política e de cultura, publicados na imprensa ao longo da semana.

Política

* Amazônia, desmatamento e queimadas: o assunto principal que dominou a imprensa nesta semana foi aquele relacionado às queimadas que se ampliaram na Amazônia, como resultado do desmatamento, e a repercussão internacional à agenda desastrosa de Bolsonaro e Ricardo Salles para o meio-ambiente. Diversos artigos foram publicados ao longo da semana buscando analisar estas questões. Relaciono abaixo aqueles que considerei mais interessantes e que indico a leitura:

– Artigo de Eliana Brum, na sexta, no El Pais, ‘Planeta em chamas’: ‘A Europa precisa decidir: se continuar comprando carne de desmatadores e produtos empapados de agrotóxicos, o agronegócio predatório vai continuar se sentindo à vontade para ampliar os dias de fogo, estimulado pelo perverso que hoje lidera o Brasil’;

– Dois artigos da ex-Ministra do Meio Ambiente e candidata às últimas eleições presidenciais, Marina Silva.

Fonte: El Pais em 25/08/2019 às 18:30 h

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O amor parece ter se transformado em um objeto de consumo de se usar e jogar fora. O Tinder fez com que, diante de tanta oferta, seja difícil apostar em alguém a longo prazo porque sempre parece que há mais escolhas. Temos medo de nos aferrar a uma pessoa, mas a realidade é que temos muito mais medo de soltá-la. Dar o passo de deixar uma relação continua sendo complexo por mais que pensemos que do outro lado o Tinder nos espera. Ou, talvez, justamente por isso.

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