Bolsonaro negocia no atacado, mas precisará acertar no varejo

:: Kennedy Alencar | Kennedy Alencar em 04/04/2019 22:24 ::

O presidente Jair Bolsonaro negociou hoje no atacado com presidentes e líderes de seis partidos políticos, mas precisará acertar acordos de varejo se quiser mesmo criar uma base parlamentar a fim de aprovar a reforma da Previdência.

Apesar do movimento ser atrasado, quase aos 100 dias de governo, o gesto político foi um acerto e tem valor simbólico. Compareceram presidentes e líderes no Congresso do PRB, PSD, PSDB, PP, DEM e MDB.

Nenhum deles fechou questão a favor do projeto de reforma da Previdência apresentado pelo governo. Traduzindo: vão desidratar a proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Após o movimento de hoje, é preciso dar seguimento a outras articulações, como conversas pontuais com deputados e senadores. Foi um passo. Serão necdo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Após o movimento de hoje, é preciso dar seguimento a outras articulações, como conversas pontuais com deputados e senadores.

Foi um passo. Serão necessários muitos outros para reparar uma relação que Bolsonaro deteriorou em três com seu discurso de nova política. A influência dos presidentes e líderes dos partidos é grande sobre as bancadas, mas o governo não fugirá dos acertos individuais.

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Tenham dó

O já famoso “episódio Tchuchuca” mostrou que o governo não tem base montada, o que já era sabido, mas precisava ser simbolizado, como dizem os psicanalistas. É até engraçado ver tigrões da imprensa escandalizados com o uso da palavra “tchuchuca” pelo deputado Zeca Dirceu (PT-PR).

O petista disse que Guedes era “tigrão” com os pobres e “tchuchuca” com banqueiros. O ministro xingou a mãe e a avó de Zeca Dirceu.

Quem acompanha debates no Congresso sabe que esse tipo de provocação é comum entre os deputados. Deselegâncias dessa espécie acontecem todos os dia no Congresso.

A notícia foi Paulo Guedes ter caído na armadilha tão facilmente. Ele não foi preparado nem protegido pelos articuladores políticos do governo. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, fazia ataques duros e semelhantes ao de Zeca Dirceu quando era um deputado federal de oposição. Ontem, o chefe da Casa Civil deixou o colega da Economia na chuva.

O despreparo e a incapacidade do governo são ameaças ao Brasil.

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Crime contra o passado e o futuro

Bolsonaro já deveria ter demitido o ministro da Educação, Ricardo Velez. Ele só dá exemplos da sua inadequação para conduzir uma pasta tão importante. A última foi dizer que vai reescrever a história do golpe de 64 e da ditadura militar nos livros didáticos.

Falsear a história virou um hábito desse governo. Vélez, Bolsonaro e o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) mentem ao defender a tese de que o golpe tinha o objetivo de impedir uma ditadura comunista. Desinformam nossa juventude. Prejudicam a imagem internacional do Brasil ao falsear a história em viagens ao exterior e quando chegam ao cúmulo de apresentar essa mentira sobre 64 como justificativa perante a ONU.

O negacionismo histórico desse governo é um crime contra a memória do país. E Veléz está destruindo a Educação. Com 14 demissões em altos postos na pasta em apenas três meses, ele deixa claro que o ministério está paralisado e sem rumo.

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Responsabilidade pessoal

Cancelar a instalação de 8 mil radares nas rodovias sob responsabilidade da União vai aumentar o número de mortes nas estradas. Bolsonaro errou para tentar agradar caminhoneiros. Pagará o “presente” com vidas que serão perdidas por sua absurda decisão.

Ouça os comentários feitos hoje no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Leia esta matéria na íntegra em Kennedy Alencar.

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