Acuar Congresso e imprensa é “caminho perigoso”, diz Maia

:: Kennedy Alencar | Kennedy Alencar em 29/03/2019 15:42 ::

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, criticou a estratégia de setores do governo Bolsonaro de tentar emparedar o Congresso e a imprensa. Ele disse que acredita que o presidente Jair Bolsonaro saberá arbitrar disputas internas de modo a evitar instabilidade política.

Em entrevista ontem à noite ao “Jornal da CBN – 2ª Edição”, Maia (DEM-RJ) foi indagado a respeito da estratégia defendida por Felipe Martins, assessor internacional da Presidência, e por Carlos Bolsonaro, filho do presidente e vereador pelo PSC do Rio de Janeiro.

Martins e Carlos defendem uma atuação incisiva nas redes sociais e uma busca de apoio direto da opinião pública para enfrentar o que consideram a velha política na qual o Congresso estaria viciado.

Ambos também criticam a imprensa, que julgam inimiga da nova administração.

Segundo Maia, um movimento de um setor do governo que queira acuar o Congresso e a imprensa, sem resolver problemas por meio da democracia e do diálogo, “parece um caminho bastante perigoso e que não deve ser o melhor caminho”. Ele disse: “Tenho certeza de que o presidente nunca quis isso e que isso vai ficar mais claro”.

“Alguns têm passado muito do tom, inclusive fazendo ameaças graves aos políticos, aos ministros do Supremo, às suas famílias, o que é muito perigoso para a nossa democracia”, afirmou, incluindo a imprensa entre os alvos desses ataques

Maia manteve a decisão de evitar novos enfrentamentos com Bolsonaro e preferiu falar que se dedicará a aprovar a reforma da Previdência “independente de qualquer diálogo com o presidente da República”.

Declarou que o Congresso deve ter “a responsabilidade de trabalhar e, se possível aprovar esse texto [a reforma da Previdência proposta pelo governo] até o meio do ano ou, no máximo, no início do próximo semestre”.

O presidente da Câmara afirmou que a Casa deverá rejeitar, como já deixaram claro 13 líderes partidários, mudanças nas regras de aposentadoria rural e do BPC (Benefício de Prestação Continuada). Também haverá resistência a permitir mudanças por legislação infraconstitucional.

Ele acredita que ocorrerá debate sobre a duração da regra de transição para setores do funcionalismo público. Ele crê que a regra de transição para trabalhadores da iniciativa privada deverá ser mesmo a proposta pelo ministro da Economia, Paulo Guedes (até 10 anos para homens e 12 anos no caso das mulheres).

Nascido no Chile e filho de um exilado político, Maia disse que houve ditadura e golpe de Estado no Brasil em 1964. Ouça a entrevista abaixo:

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