Site promove doação de materiais de construção

:: TM Cidade em 13/01/2019 07:57 ::

Dos três erres do consumo consciente – reduzir, reutilizar e reciclar -, o que parece ser mais presente no dia a dia é a reciclagem, ação dedicada a transformar um resíduo, ou o resto dele, em um novo produto. Já o reúso consiste em utilizar um mesmo objeto, ainda em sua forma original ou com pequenas intervenções. Essa é a lógica que conduz o projeto de Extensão “Bloco na Rua – Reúso de Materiais de Construção”, da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Pensando em maneiras de popularizar a reutilização daquilo que é, inicialmente, considerado resto ou sobra, o grupo lançou o site remat.eco.br, que funciona como uma espécie de brechó para materiais de construção.

A ideia da plataforma é evitar que determinados objetos, cujas funcionalidades ainda estão preservadas, sejam descartados, podendo ser reutilizados em outro espaço.

A página se dedica a funcionar como uma mediadora, facilitando o contato entre as partes interessadas pelos materiais, incentivando as trocas e doações. Compra e venda também são outras opções, mas, como o site não realiza transações comerciais, por não ter a pretensão de movimentar dinheiro, as negociações são feitas diretamente entre os interessados.

“Dessa forma, componentes como uma porta, uma janela, uma grade e telhas podem ser disponibilizados e aplicados diretamente em outro local, em sua forma original ou até mesmo com algum pequeno reparo, como solda ou pintura. Ao invés de a pessoa trocar uma porta e jogá-la fora, o site permite que ela doe, troque e até venda essa peça”, destaca o coordenador do projeto de extensão e professor da Faculdade de Engenharia, Pedro Kopschitz.

Materiais-reus%C3%A1veis-Pedro-kopschitz-xavier-bastos.jpgJanelas e portas fazem parte da lista de objetos que podem ser trocados e reutilizados, desde que estejam preservados (Foto: Pedro Kopschitz Avier Bastos)

De acordo com ele, qualquer material de construção implica em vários gastos de recursos naturais. “Podemos começar contabilizando pela água, passando pelo petróleo, pelo minério, pela madeira e por aí vai. A construção civil é a atividade que mais consome recursos naturais. Metade dos materiais extraídos no mundo vão para essa área.

Nosso objetivo, nessa ação, é atingir a habitação, dando sobrevida a esses materiais.” O estudo do projeto aponta que há um ciclo de vida, que começa na extração das matérias primas, passa pela fabricação, pela construção, pela manutenção e pela demolição. “Nesse ponto, você chega ao fim da vida de um edifício, mas não, necessariamente, dos materiais. Eles podem entrar em um novo ciclo de vida, fazendo parte de um novo edifício.”

A inspiração para o trabalho veio da observação da quantidade de materiais inteiros descartados em caçambas. “Também vemos esse processo de demolição das cidades, que usam máquinas pesadas, fazem um esforço enorme e transformam tudo em entulho. Esse processo não prima por tirar peças inteiras, pelo contrário, derruba tudo e leva para o aterro”.

Brechó

Da união desse conceito de uma demolição que reaproveita as peças, com a dinâmica dos brechós, foi formulado o site. “Conhecemos mais a versão das roupas, em que as pessoas compram roupas usadas e saem satisfeitas por pagarem um preço bem mais barato por uma roupa ‘nova’, que seria jogada fora, mas ganha mais tempo de uso.

Queremos mostrar que isso também é possível com elementos da construção civil.” Kopschitz explica que buscou por iniciativas semelhantes, mas só encontrou algo parecido voltado para o setor industrial. A diferença é que, no caso do site, a ação é voltada para a pessoa que vai fazer uma reforma em casa ou que produz uma escala menor de resíduos.

A plataforma permite que a pessoa faça o ‘anúncio’ por categorias, que incluem, entre outros objetos, calhas, ferragens, blocos para alvenaria, janelas, materiais hidráulicos e elétricos, portas, pisos, louças, entre outros, de qualquer parte do país. Como a responsabilidade pelo transporte dos materiais também é das partes, os interessados podem conferir se há viabilidade para adquirir as peças.

Continuação dos estudos

Os dados colhidos no site poderão auxiliar na continuação da pesquisa. No processo de reciclagem, para transformar um produto em outra coisa, há uma demanda de energia e emissão de gás carbônico (CO²), seja na produção ou no transporte. No reúso, embora algumas peças precisem de reparos e também de transporte, o consumo de energia seria bem mais baixo. Com essas informações, será possível calcular quanto se deixa de gastar ao reutilizar materiais de construção.

“Vamos poder quantificar o benefício para a natureza. Todo material tem essa energia embutida. Temos índices que medem isso. Conforme as ações estiverem acontecendo via site, vamos poder avaliar esses índices e ver quanto economizamos, podendo medir esse impacto”, explica o coordenador. Embora não seja possível antever a interação que o site alcançará, as expectativas do grupo são as melhores. “Além de todos os benefícios para a natureza, o site também tem o viés educativo, traz informações sobre o reúso e permite que as pessoas tenham contato com mais uma forma de tentar evitar a retirada de materiais da natureza”, destaca Pedro Kopschitz.

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